Ontem, como em todos os dias que resolvo ficar em casa, tive que resolver as coisas da casa. Minha irmã então me pediu, implorou, para que eu a levasse na loja de fazer piercings, porque o dela saiu e ela temia que o buraco fechasse rápido.
Lembrando de toda a força que ela me deu no dia anterior, agindo como eu sempre imaginei que as irmãs seriam, fui com toda boa vontade. Chegando lá, a atendente falou que teríamos que esperar meia hora até a esterilização da peça. Eu, conformada, liguei para o trabalho e comuniquei o atraso. Ando muito complacente comigo mesma.
Perguntei então para a moça o que eu teria que fazer se quisesse também colocar um piercing. Ela disse: esperar os mesmos 30 minutos. “Ok, então eu quero colocar esse brinco”.
Nos 30 minutos que se passaram desci para comer alguma coisa, apenas. Quando a oura moça, que colocaria o piercing, perguntou a que horas queria fazer, se preferia resolver outras coisas antes ou pensar melhor, respondi: “quero agora”. Deitei na cama, fechei os olhos e, respondendo ás suas perguntas, eu comecei a contar o que me acontecera e porque decidi fazer isso. Doía tanto lembrar de tudo, que me senti anestesiada da dor física.
Foi tão rápido que não pude contar o final. Pulei da cama sorrindo, como se tivesse renascido. Ela perguntou se eu tinha gostado e eu respondi: “tanto faz”.
Minha irmã olhava atônita. Desde que eu tinha 14 anos eu queria fazer isso, mas nunca tive coragem. Ela queria desde quando tinha 13, e fez com os 13. Essa semana quando comentei que furaria o nariz quando voltasse de intercâmbio, ela riu: “você nunca vai fazer isso”. A Mari, minha amiga de longa data, também não acreditava.
Pois eu fiz. Está aqui, um brilhinho ao alcance dos meus olhos, bem em cima do meu nariz.
Fiz mais: quando saí para tirar o dinheiro e sustentar minha loucura, senti um frio na barriga com a oferta da moça da loteria, e joguei na quina. Nunca tinha jogado antes em nada, nem sabia que não precisava escolher os números. Apenas senti que minha sorte estava virando.
P.s.: Na hora de explicar para a chefe o porque da loucura, eu, sem pensar, disse: “fiquei com vontade de estampar na minha cara a minha juventude”
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