sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Get rid of

Outra relação interessante que percebi ontem foi que sempre encontro apoio para as coisas que vivo nos blogs da Cris Guerra, embora ela nem saiba quem sou eu – a não ser que tenha percebido que corri atrás dela um dia desses no shopping, só para ter o gostinho de saber se era ela mesma.

Pouco antes de a minha avó falecer, essa melancolia começou a dar sinais de que chegaria. Estava em uma entressafra de estágios e ficar parada demais nunca me fez bem. Tinha tempo livre, mas não conseguia descansar. E me enfiei a ler os posts mais antigos do “parafrancisco”, tentando entender um pouco mais sobre como ela conseguia ser leve apesar de tantas perdas, tantas ausências. Pelo contrário, parecia que essa falta fazia dela uma pessoa ainda mais interessante. Mas mesmo com essa mensagem bonita, cada vez que lia os textos sobre a perda da mãe, do pai, das avós, eu chorava, chorava, como quem nunca mais ia parar. E chorava sozinha, contida, ninguém poderia compartilhar ou entender essa dor que sequer era minha. E por mais que eu desligasse o computador acabada, no dia seguinte eu sempre ia buscar mais daquela fonte. Me fazia mal, mas de alguma forma me preparava para algo que eu não sabia que estava chegando.

Quando perdi minha avó, parei. Entendi tudo aquilo que ela falava, mas reler, naquele momento, era demais pra mim. Tentei ler de novo o blog pouco tempo depois, quando a Cris respondia entristecida a um comentário que recebera de uma leitora: tinha ficado metida. Eu, com aquele ciúme infantil de quem diz: “eu descobri essa banda muito antes de todo mundo, e ela era bem melhor antes de virar pop”, aderi ao comentário da leitora e parei de lê-lo de vez.

Bobagem minha. Essa semana eu acessei novamente o blog e percebi que, independente de qualquer coisa, a Cris tem uma escrita única e que mexe muito comigo. Ela falava agora sobre como encontrar a felicidade em meio a uma bolsa grande e cheia de coisas. E sobre porque procuramos sempre um amor para envelhecermos juntos. Senti que ela tinha voltado a escrever para mim. E que me daria o caminho para reencontrar a alegria em meio á tantas bugigangas. Ela então falou:

“Nas horas tristes, filho, não diga nada. Coloque um silêncio bem alto no aparelho de som. E comece a escrever bem baixinho. (Chorar até que pode, desde que não lhe embace a vista). Só não pare: tristeza é pra escrever. Tome posse dessa dor que é toda sua. Até que passe e venha outra mais bonita.”

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