Quando fazia RPG, a um bom tempo atrás, minha fisioterapeuta, pessoa tão querida, disse: “nós só aprendemos a cuidar de nós mesmos, quando aprendemos a cuidar do outro”. A sugestão dela era então de que eu tivesse um cachorrinho, bichinho, ou plantinha qualquer para cuidar e, descobrir neles, como seria cuidar bem de mim.
Sem perceber, eu aprendi isso de outra forma. Passei pouco mais de dois anos cuidando de uma pessoa, tal como quem cuida de um filho, ou quem ama como um filho. Levava ao cabeleleiro, marcava fisioterapia, acompanhava no dermatologista, o assistia jogar futebol no final de semana, comprava roupas novas, dava colo nos momentos de tristeza, empurrava pra frente nos momentos de dúvida.
Hoje eu vejo que assim, eu aprendi a cuidar de mim. E que agora me sobra tempo para isso. Eu queria poder encontrar a Cláudia e agradecê-la por isso.
Saber cuidar da gente é a melhor coisa que existe. É saber quais são nossas necessidades, nossas vontades, nossas implicâncias, virtudes e angústias e estar prontamente pronta para atendê-las.
Este blog sou eu cuidando de mim. Ele não tem uma identidade diferente das demais. Não trata de uma viagem, de um olhar sobre o mundo, de uma experiência nova, de uma dor específica. Ele é somente (e muito mais) o meu amigo. Somos eu e ele. Eu falo, choro, penso, desabo, desabafo. E ele, me ouve. Só eu e ele, ele e eu.
Quisera eu que ele pudesse se esconder nas entranhas obscuras do Google e nunca aparecer disponível em qualquer busca. E que permanecesse esquecido na mente de quem acompanhou sua primeira fase, dois anos atrás. Quisera eu. Eu e ele. Ele e eu.
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