O problema é que eu não tenho humor. Não sei não levar as coisas a sério. Se a gente se prometeu que iria ser pra sempre, não importa as promessas dos outros, a nossa tinha que dar certo. Ninguém me escuta mais.
Mas eu lembro de tudo. Lembro da entrega. Da dedicação. Do pai, da mãe. Da amiga que fui. Do hospital, da fisioterapia, do dermatologista sábadfo de manhã, das viagens perdidas, do amor não dado, da transa não vivida. Lembro dos jogos, do choro, da doença, do estímulo, do colo, da compreensão. Lembro de ter misturado as famílias, os sonhos, as roupas, as intimidades, as senhas. Lembro de ter querido ser um só.
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