terça-feira, 25 de março de 2008

Trilha sonora do dia.

"Nada vem de graça
Nem o pão, nem a cachaça
Quero ser o caçador
Ando cansado de ser caça..."

segunda-feira, 17 de março de 2008



Pena que não fui capaz de fazê-lo legível...

"As malas estão inertes no meu antigo quarto há quase dois dias. Vou adiar o quanto puder. Eu não quero desfazê-las. Quero fugir, evitar o fato. A verdade é que eu voltei e não sei mais o significado da palavra casa. A vida aqui anda muito bem sem mim. Talvez, no começo, as paredes tenham percebido um estranho silêncio. Agora, vejo que minha ausência é sólida e minha presença, quase incômoda. O mais engraçado é que tudo continua exatamente igual ao que eu deixei. Mas não há como ignorar - eu deixei. Então, tenho medo de defazer as malas e não encontrar as roupas certas para os sapatos encaixotados há dois anos. Também vou permanecer inerte na porta do quarto, não vou entrar, vou deixar meus pés se acostumarem à idéia de antigos sapatos."

texto: Lieli Loures
ilustração: Gabriel Malard
direção de arte: Raquel Alvarenga
diariodbordo - nota 16
"Literatura para ler no balcão, na mesa, na fila do banheiro ou da próxima sessão. Arte para consumir, colecionar, trocar, apreciar, postar."

domingo, 16 de março de 2008

Creu.

Um dia desses meu professor de história do jornalismo deu um exemplo interessante quando falava de interpretação. Ele queria explicar a frase em que Nietzsche falava: "fatos é o que não há: há apenas interpretações" e citou Mc Créu e Alcione. A comparação era:
Mc Créu:
"-É créu! É créu neles ;É créu! É créu nelas; Vãobora que vamo! Vãobora que vamo! ;"Pra dançar créu ;Tem que ter disposição; Pra dançar créu; Tem que ter habilidade; Pois essa dança ;Ela não é mole não ;Eu venho te lembrar ;Que são 5 velocidades...;Pra dançar créu ;Tem que ter disposição; Pra dançar créu; Tem que ter habilidade ;Eu venho te lembrar; Que ela não é mole não; Eu venho te falar; Que são 5 velocidades..."

Alcione:
"É você é um negão de tirar o chapéu ; Não posso dar mole se não você ... creu; Me ganha na manha e babau, Leva meu coração. "

Bom, ambos citam a palavrinha mágica. Mas as duas músicas são tratadas de forma diferente e devido a mesma palavrinha mágica.

No meio da discussão que surgiu com essa comparação, sobre os "porquês" do funk ser julgado negativamente e o samba não e blá blá blás eu fiquei em dúvida sobre o que pensar. É, são contextos diferentes. Na minha cabeça, um contexto é melhor do que o outro. Mas por quê?
Eu ainda não sei o que penso. Mas sei que procurando uma resposta resolvi jogar no google afim de achar o tratamento que a mídia dava a cada um desses cantores. Sobre Alcione, achei muita coisa. Tipo:
"Considera um dos orgulhos do Maranhão, a cantora Alcione recebeu várias homenagens não apenas na sua terra natal como em diversas partes do Brasil. Apenas para citar as mais importantes veja: Alcione virou nome de de um importante teatro, localizado no centro histórico de São Luís, sua terra natal; Em 2003 foi inaugurado, também em São Luís, o Elevado Alcione Nazaré, um importante viaduto que liga os bairros Ipase e Vila Palmeira. No Rio de Janeiro, foi tema de samba-enredo em 1994 da escola de samba Unidos da Ponte, com o enredo Marrom da cor do samba, embora a cantora se declare amante da escola de samba Mangueira.
Alcione recebeu diversos prêmios ao longo da carreira, dos quais vários discos de ouro e platina. Uma prova disso, desde de o início do Prêmio Tim de Música que ela sempre é eleita como a melhor cantora de samba, fazendo parte também do ABC da Música composto por: A:Alcione, B: Beth Carvalho e C:Clara Nunes." Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Alcione

Sobre o Mc Créu, bom, na verdade, achei só isso:
"Nome Artístico: MC Creu SEMPRE CONHECIDO COMO DJ SERGINHO COSTA JA NO FUNK A MAIS DE 10 ANOS , PASSOU POR VARIAS FAZES DO FUNK ELE CONHECE BEM A HISTORIAS DO MOVIMENTO MELOS, RAPS MONTAGENS DE GALERA , RAPS NEUROTICOS E O FUNK MAIS SENSUAL DE DUPLO SENTIDO DE AGORA, PASSOU PELO MIAMY DEPOIS ICE T VOLT RASSAM ATÉ CHEGAR NO TAMBOZÃO DE HOJE, RESUMINDO UMA NOVIDADE DA ANTIGA QUE POR UM ACASO GRAVOU UMA MUSICA DE BRINCADEIRA COM SEUS AMIGOS A MUSICA FOI REPERCURTINDO DE UM FORMA TÃO GRANDIOSA Q HOJE É O NOVO HIT DOS BAILES FUNKS DO BRASIL DEVIDO AO GRANDE SUSSESO NOS BAILES DAS COMUNIDADES E CASAS DE SHOW, ELE ATENDENDO A MILHARES DE PEDIDOS VEM LANÇANDO MODA COMO PRIMEIRO DJ MC DO FUNK , Q EM SEUS SHOWS, DANÇA CANTA E FAZ A GALERA DELIRAR E MORRER DE RIR COM SEU JEITO IREVERENTE DE SER E DE AGORA EM DIANTE O DJ SE TORNOU O : MC CREU ... É CREU NELAS ! " Fonte: http://www.pesadao.org/releases/creu/creu.php

E agora, josé? Tá aberta a polêmica.

Obs: Eu juro que não manipulei essa pesquisa. Quando joguei o nome Mc Créu no google, o único site que falava sobre ele, era esse.
Obs2: Eu sei que Alcione não deve ser julgada só por essa música. Ela foi só um instrumento de comparação. Que me perdoem os fãs de qualquer um dos dois.
Obs3: Por quê que eu só achei isso na internet? Por quê que ninguém escreve sobre o cantor do "hit de 2008"?

Mãe menininha do Gantois.

Para quem me perguntou sobre quem era a Mãe menininha do Gantóis, que postei em uma música (estou em dúvida agora se a música é da Gal ou da Maria Bethânia...desculpa!) aqui embaixo.

"Jorge Amado não viajava sem ouvir suas recomendações. Dorival Caymmi não dava um passo sem consultá-la primeiro. Antônio Carlos Magalhães seguia seus conselhos a ferro e fogo. E Vinicius de Moraes corria a escutá-la quando estava na Bahia. Ninguém sabe ao certo quem foi a primeira personalidade a frequentar o Terreiro do Gantois, em Salvador, mas o fato é que os braços acolhedores de Mãe Menininha nunca estavam parados. Fosse recebendo seus numerosos filhos-de-santo - o telefone tocava pelo menos 20 vezes por dia, com ligações de todo o País -, fosse preparando os saborosos aracajé, caruru ou o vatapá como só ela sabia fazer, nenhum traço de exaustão perturbava a rotina da guia espiritual mais paparicada da Bahia.
Neta de escravos, Maria Escolástica da Conceição Nazaré (nascida a 10 de fevereiro de 1894 na capital baiana) foi escolhida na infância pelos santos do candomblé como mãe-de-santo do terreiro fundado pela avó. Ainda criança, sem conhecimento suficiente para assumir o posto mais alto na hierarquia da religião - o de ialorixá, que dita as regras e comanda todo o funcionamento da casa - foi iniciada nos rituais pela tia Pulquéria, sua antecessora. Era então uma moça quieta e franzina, e não escapou do apelido que a acompanhou pelo resto da vida. Aos 28 anos, assumiu definitivamente o terreiro. “Quando os orixás me escolheram eu não recusei, mas balancei muito para aceitar”, contou certa vez. Na época, o candomblé vivia uma fase de perseguição a paus e pedras. Relegados ao submundo religioso, os rituais terminavam subitamente com a chegada da polícia.
“Vem olhar, doutor” A partir da década de 30, a restrição arrefeceu, mas uma Lei de Jogos e Costumes exigia que o candomblé só fosse celebrado em horários específicos, com a autorização de uma delegacia específica. Quando passava das dez da noite, lá vinham os policiais. “Isso é uma tradição ancestral, doutor”, dizia a ialorixá ao delegado, com sua paz interior que pouco a pouco se apoderava dos outros. “Venha dar uma olhadinha o senhor também.” E o jeito melindroso de Mãe Menininha não só evitou o fechamento do terreiro, como venceu a resistência religiosa do chefe da Delegacia de Jogos e Costumes, que escutou o chamado dos santos e se tornou um praticante da religião depois da extinção da lei, em meados dos anos 70 - a própria Mãe Menininha foi uma das principais articuladoras para o término das proibições.
Como outras crenças, no início do século a religião afro-brasileira também era carregada de conservadorismo. Passar em frente de uma mãe-de-santo sem baixar a cabeça era grave ofensa para os seguidores da casa. “Como um bispo progressista na Igreja Católica, Menininha modernizou o candomblé sem permitir que ele se transformasse num espetáculo para turistas”, analisa o professor Cid Teixeira, da Universidade Federal da Bahia. Informal e bonachona, não hesitava em abrir as portas do Gantois para brancos e católicos - uma abertura que, em muitos terreiros, ainda hoje é vista com certo estranhamento.
Programa evangélico Ecumênica, Mãe Menininha nunca deixou de assistir à missa, numa prova de que o sincretismo religioso da Bahia não é mero chavão. Podia comungar pela manhã e celebrar os rituais do candomblé à noite. No meio tempo, cuidava das duas filhas - Cleusa e Carmen - e coordenava todas as atividades do terreiro. Não eram poucas, já que dentro do próprio Gantois criavam-se galinhas e cultivava-se milho. Sem cobrar um tostão, passava o dia atendendo seus seguidores. Para dar uma trégua aos santos, entregava-se de corpo e alma a pequenos prazeres. Cuidava com esmero da vasta coleção de objetos de louça, presentes dos filhos-de-santo ilustres. Quando estava assistindo aos capítulos da novela Selva de Pedra, ninguém arriscava importuná-la. E grudava no rádio colocado no criado-mudo do quarto para escutar programas evangélicos e música popular - uma de suas cantoras preferidas era Maria Bethânia, ainda hoje frequentadora do Gantois, junto com o irmão Caetano Veloso.
Por trás das poderosas lentes dos óculos da mãe-de-santo havia uma mulher de força inabalável. Mais que superar preconceitos e afirmar o candomblé como símbolo da cultura negra, abriu a seita para novos seguidores. Mais que ser católica, convenceu os bispos a permitir a entrada nas igrejas de mulheres com os tradicionais vestidos do candomblé. Vestidos que ela mesma exibia com elegância: brancos para Oxalá, dourados para Oxum e azuis para Oxóssi.
Sucessora Com sua paciência invejável, não se cansava de tirar dúvidas sobre o candomblé. “Deus? O mesmo Deus da Igreja é o do candomblé. A África conhece o nosso Deus tanto quanto nós, com o nome de Olorum. A morada Dele é lá em cima, e a nossa cá embaixo”, explicava. Mãe Menininha morreu a 13 de agosto de 1986, aos 92 anos. "


Esse texto foi publicado pela Istoé, durante a escolha do brasileiro do século, na categoria religião. Mãe menininha do Gantóis ficou em 11º lugar.

Fonte: http://www.terra.com.br/istoe/biblioteca/brasileiro/religiao/relig11.htm

O Retorno - parte 1

Oi! Tudo bem? Pois é, voltei. Ter um blog dá um pouco de trabalho e por isso eu larguei mão dele um pouquinho. Percebi o tanto que ter um blog muda um pouco nossa visão do dia-a-dia. Ou você começa a viver tudo pensando como se tornaria algo interessante de se escrever ou no final do dia você repensa tudo que aconteceu procurando um fato peculiar. As coisas passam a ter um gostinho mais agradável mas não necessariamente reais. Lembrei da oficina de fanzine que fiz na faculdade (acho que já citei aqui, inclusive) e que os instrutores, orientadores, sei lá como que chama isso, pediram pra gente contar como foi o nosso dia de uma forma engraçada. Se não soubesse, que contasse então um caso peculiar que tivesse acontecido. E se ainda assim não tivesse acontecido nada de peculiar, que tornasse peculiar algo que tivesse sido corriqueiro. Acho que escrever diariamente num blog é isso, e dá trabalho. Mas dá um gostinho diferente pras coisas. Por isso, eis aqui uma tentativa de retorno. Parte 1, pra me justificar se eu sumir e resolver voltar inúmeras vezes.