Já é consenso no Brasil o fato do nosso jornalismo tradicional ser manipulado política ou empresarialmente. O jornalismo público surge então como uma alternativa diferente dentro do que presenciamos cotidianamente.
Não tendo a obrigação de obedecer ás leis do mercado, ele possibilita transmitir informações claras e objetivas que interessam ao povo. O compromisso do jornalismo público é com o cidadão e com o direito à informação que ele possui.
Em uma democracia todo poder vem do povo e é exercido em nome dele e, por isso, é direito do cidadão o acesso á toda e qualquer informação para que possa formar a sua opinião e assim exercer o seu poder.
O que o jornalismo público veicula diz respeito á vida, ao desenvolvimento da cidadania e ao enriquecimento cultural do brasileiro. Ele deve focar o conhecimento aprofundado e regular, ao invés da superficialidade e do sensacionalismo. Esse novo modelo foge da repetição em que, ao final de cada dia é possível constatar que todas as emissoras veicularam exatamente as mesmas informações.
Como ainda não tem um grande espaço dentro da mídia brasileira, o jornalismo público ainda tem que superar muitas dificuldades.
Ele não possui isenção, pois deve satisfação direta ao governo. Quando se trata de programas que ainda não têm grande credibilidade de público, corre o risco da empresa de comunicação assumir um caráter assistencialista. Esse problema é recorrente nas emissoras regionais. Há então uma constante busca então pela isenção e liberdade editorial.
Outra dificuldade é a de adaptar os jornalistas a esse novo formato. Doutrinados durante a formação acadêmica, os jornalistas não conseguem transcender ao jornalismo tradicional tão facilmente.
O jornalismo público tenta, por fim, ser reconhecido na mídia pelo seu papel de fortalecer a participação do público nos debates veiculados por ele.
Alguns exemplos de jornalismo público no Brasil são: TVE, a Agência Brasil, a Radiobrás, a Rádio MEC, os jornais da TV Câmara e Senado, os responsáveis pelos diários oficiais das prefeituras, governos e união.
A TV Brasil entrará no ar no final do ano de 2007. Será a primeira TV sustentada integralmente por verbas públicas e se apresentará em rede nacional em canal aberto. Tratando-se de uma novidade, a TV pública no Brasil vem gerando bastante polêmica. O primeiro questionamento que surge é quanto a ela se tornar um mecanismo de controle do governo, temor ainda mais acentuado por fatos recentemente ocorridos durante o governo Chávez, que transformou a mais antiga emissora de TV da Venezuela em um canal público a disposição de seu governo. Esse questionamento é rebatido pelo fato da TV Brasil contar com um conselho curador de 20 membros, sendo 4 ministros, um representante dos funcionários e 15 membros da sociedade civil. Eles serão responsáveis por aprovar a linha editorial da TV. Busca- se com esse conselho garantir a fiscalização de possíveis interferências do Estado. Porém, Franklin Martins, ministro da Comunicação Social e um dos responsáveis pelo projeto, admite que ainda existem riscos de manipulação. "O risco de manipulação política não existe só na TV pública", completou." (da folha online). É preciso, antes da instalação da TV Brasil, que se quebre o preconceito de que se é público, é controlado pelo governo. Formas de comunicação pública no Brasil como a TV Cultura e a Radiobrás são exemplos da autonomia que esse tipo de imprensa possui.
Além disso, questiona-se a necessidade de criar essa TV pública. Tendo em vista o nível apresentado nos programas das emissoras particulares, encontramos uma resposta. A TV pública não se preocupa com audiência ou mercado e, por isso, pode investir em uma grade de programação mais rica, seja no sentido jornalístico, educativo ou no entretenimento.
A Radiobrás é uma empresa pública de comunicação que opera através de diversas mídias. Seu objetivo é sempre transmitir a informação com objetividade e o foco de suas pautas é o cidadão. A empresa busca garantir a transparência interna e externa da informação, universalizar o direito à informação do cidadão e a qualidade da mesma. Ela já conta com seis emissoras de rádio, três emissoras de TV e duas agências de notícias na internet. Ela é responsável por noticiar informações sobre o Estado, governo e vida nacional. Foi criada em 1975 como uma autarquia do governo, com a responsabilidade de gerir todas as emissoras de rádio e TV do governo espalhadas pelo país, de forma centralizada. Ela atua também na distribuição da publicidade legal das entidades governamentais.
A TV Cultura é um exemplo de TV pública no Brasil. Parte de sua renda vem do Estado, que é obrigado por lei a custear alguns de seus gastos. Apesar disso, possui um caráter privado, o que dá a ela o direito de não sofrer nenhuma interferência do Estado. A renda obtida pelo Estado não cobre todo o orçamento, e por isso a TV possui outras formas de renda. No momento, são quatro: o governo de São Paulo, prestações de serviços em geral, venda de produtos e subprodutos de sua programação e publicidade. A publicidade adota outro caráter nesta TV. Todo tipo de renda vindo destas empresas entra como apoio cultural e elas não exercem nenhum tipo de influencia sobre a emissora. O jornalismo também tem uma postura diferente. Como não tem caráter comercial, ele não precisa defender nenhum ponto de vista, seja ele de cunho político ou empresarial. Busca assim atingir algo mais próximo do “jornalismo ideal”: objetivo e imparcial. Adota um modelo diferente, de duas vias. Nele, o telespectador deixa der ser um agente passivo e passa a participar do processo de construção e transmissão da mensagem.