sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Minha mãe menininha.

Ai minha mãe.Minha Mãe Menininha.Ai minha mãe.Menininha do Gantois.A estrela mais linda, hein? Tá no Gantois.E o sol mais brilhante, hein? Tá no Gantois.A beleza do mundo, hein? Tá no Gantois.E a mão da doçura, hein? Tá no Gantois.O consolo da gente, hein? Tá no Gantois.E a Oxum mais bonita, hein? Tá no Gantois.Olorum quem mandou.Essa filha de Oxum.Tomar conta da gente.E de tudo que há.Olorum quem mandou ô ô.

Um dia acordo cedo.Noutro acordo quase.A cama desfeita.Meu pai quer que eu case.Minha mãe me enfeita.Feita como frase.Avião me leva.Doido kamikaze(...)
Manhê, manhê, manhê.Minha mãe a manhã.Anjo que meu pai.Música me vai.Nunca vã.

Minha mamãe , que esse final de semana comemora sua entrada nos "enta".

E amanhã é o dia da luta contra a AIDS. Acho tão bonito ver as pessoas saindo na rua vestidas de branco ou com aquele lacinho vermelho pregado na roupa. Sei lá, dá uma sensação de que ainda existe gente de carne e osso. Gente que mesmo com atitudes pequenas conseguem demonstrar alguns de seus princípios. Atitude, solidariedade, consciencia, interesse. Ai, acho que sou uma sonhadora..

sábado, 24 de novembro de 2007

2004 – Odisséia trágica na Bhtrans

Eu não consigo entender como que eles têm coragem de juntar dinheiro pra comprar um carro de 30, 40 mil e não investir na saúde dos filhos. É, nem eu. Um dia desses o mais novo surtou e passou o dia sem comer, só batendo a mão no peito, feito o Tarzã. Isso não pode ser normal. Oi tia, tudo bem? Já saiu o resultado da biópsia. Deu positivo. E como que não investem em passeio também? Eles não saem de casa. Não fazem nada. Não brincam. Não têm amigos. O mais velho, Tiago, fica o dia inteiro no computador. Já foi constatado que isso é doença, você sabe né? Ah, nem acho que seja não. Ele pelo menos faz alguma coisa. Melhor que o outro, que não faz nada. Ele ri das piadinhas que recebe por e-mail, conversa com uns amigos lá, joga... Tudo bem que pra um rapaz de 20 anos, ele é bem infantil. Uma vez fiquei uma hora e meia on-line com ele no msn e vi o tanto que ele é bobinho. Mas as vezes ele vai em umas boates e tal. O outro, coitado. Não faz nada. Ô tia, mas eu queria que a senhora não contasse pra ela não. Você sabe né, ela já está com 90 anos, não sei se ela agüenta receber essa notícia. E também, pra que fazer ela sofre a toa? O médico já falou que não vamos fazer quimioterapia, nem nada. A saúde dela realmente não agüenta. A mãe deles falou ontem que o carro tava consertando e não ia voltar de carona com o Renato não. Só porque ele tem um palio e ela só está acostumada andar com o Honda. Tem nojinho de andar no palio. Olha, por que esse cara parou o carro no meio da rua? Eu acho que o ônibus do lado raspou nele e ele ta querendo tomar providências, mas ele que tava errado, olha-ali-prá-você-vê. E ainda ta fechando todo o cruzamento. É, câncer de pele mesmo. Ela passou essa semana aqui na minha casa pra fazer a cirurgia. E o filho dela não veio visitá-la nenhuma vez. Queria que você falasse isso com ele, tia, ela ficou muito sentida. Não, eu acho que ganhar dinheiro não é tudo na vida. Ele pode parar de trabalhar um pouquinho pra ir lá ver ela. Não custa nada. Você não ta me entendendo. Ela não quer o dinheiro dele. Ela tem uma aposentadoria muito boa, não precisa do dinheiro de ninguém. Nem de ajuda do convenio de saúde. O dela já cobriu toda a cirurgia. Ela só quer atenção. Tia, tia, por favor, me escuta. Eu to falando de verdade, não é desse tipo de ajuda que ela precisa. É a mãe dele. Não é possível que ele não entenda isso. Todo mundo vai morrer um dia mas ela, com 90 anos, ta muito mais próxima disso. Por que ele tem medo de ir lá visitar ela? É só um abraço, uma palavra carinhosa. Que dificuldade há nisso? Ela só quer uma presença. Ah tia, francamente. Ele tem duas filhas, ele ta plantando o que vai colher. Ta sim, não vai poder reclamar depois, se não deu nada disso pra própria mãe. Eu não quero ficar brigando por isso mas ela passou uma semana aqui em casa, na mesma cidade que ele, que que custava uma visita? Ta, fala com ele. Depois pode ser tarde demais. Tá tia, eu vou desligar, meu ponto ta chegando. Se a senhora precisar de alguma coisa pode me ligar. Não, eu também não to precisando de dinheiro, a empresa ta bem. Ta bom, fica com Deus. Beijos pra senhora. Alô, mãe? Tudo bem? Mãe, sou eu, Andréa. Mãe, sou sua filha.
"Deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu o mantivesse preso num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço"
Caio Fernando Abreu

sábado, 17 de novembro de 2007

Por dentro do Jornalismo Público no Brasil.



Já é consenso no Brasil o fato do nosso jornalismo tradicional ser manipulado política ou empresarialmente. O jornalismo público surge então como uma alternativa diferente dentro do que presenciamos cotidianamente.
Não tendo a obrigação de obedecer ás leis do mercado, ele possibilita transmitir informações claras e objetivas que interessam ao povo. O compromisso do jornalismo público é com o cidadão e com o direito à informação que ele possui.
Em uma democracia todo poder vem do povo e é exercido em nome dele e, por isso, é direito do cidadão o acesso á toda e qualquer informação para que possa formar a sua opinião e assim exercer o seu poder.
O que o jornalismo público veicula diz respeito á vida, ao desenvolvimento da cidadania e ao enriquecimento cultural do brasileiro. Ele deve focar o conhecimento aprofundado e regular, ao invés da superficialidade e do sensacionalismo. Esse novo modelo foge da repetição em que, ao final de cada dia é possível constatar que todas as emissoras veicularam exatamente as mesmas informações.
Como ainda não tem um grande espaço dentro da mídia brasileira, o jornalismo público ainda tem que superar muitas dificuldades.
Ele não possui isenção, pois deve satisfação direta ao governo. Quando se trata de programas que ainda não têm grande credibilidade de público, corre o risco da empresa de comunicação assumir um caráter assistencialista. Esse problema é recorrente nas emissoras regionais. Há então uma constante busca então pela isenção e liberdade editorial.
Outra dificuldade é a de adaptar os jornalistas a esse novo formato. Doutrinados durante a formação acadêmica, os jornalistas não conseguem transcender ao jornalismo tradicional tão facilmente.
O jornalismo público tenta, por fim, ser reconhecido na mídia pelo seu papel de fortalecer a participação do público nos debates veiculados por ele.
Alguns exemplos de jornalismo público no Brasil são: TVE, a Agência Brasil, a Radiobrás, a Rádio MEC, os jornais da TV Câmara e Senado, os responsáveis pelos diários oficiais das prefeituras, governos e união.
A TV Brasil entrará no ar no final do ano de 2007. Será a primeira TV sustentada integralmente por verbas públicas e se apresentará em rede nacional em canal aberto. Tratando-se de uma novidade, a TV pública no Brasil vem gerando bastante polêmica. O primeiro questionamento que surge é quanto a ela se tornar um mecanismo de controle do governo, temor ainda mais acentuado por fatos recentemente ocorridos durante o governo Chávez, que transformou a mais antiga emissora de TV da Venezuela em um canal público a disposição de seu governo. Esse questionamento é rebatido pelo fato da TV Brasil contar com um conselho curador de 20 membros, sendo 4 ministros, um representante dos funcionários e 15 membros da sociedade civil. Eles serão responsáveis por aprovar a linha editorial da TV. Busca- se com esse conselho garantir a fiscalização de possíveis interferências do Estado. Porém, Franklin Martins, ministro da Comunicação Social e um dos responsáveis pelo projeto, admite que ainda existem riscos de manipulação. "O risco de manipulação política não existe só na TV pública", completou." (da folha online). É preciso, antes da instalação da TV Brasil, que se quebre o preconceito de que se é público, é controlado pelo governo. Formas de comunicação pública no Brasil como a TV Cultura e a Radiobrás são exemplos da autonomia que esse tipo de imprensa possui.

Além disso, questiona-se a necessidade de criar essa TV pública. Tendo em vista o nível apresentado nos programas das emissoras particulares, encontramos uma resposta. A TV pública não se preocupa com audiência ou mercado e, por isso, pode investir em uma grade de programação mais rica, seja no sentido jornalístico, educativo ou no entretenimento.

A Radiobrás é uma empresa pública de comunicação que opera através de diversas mídias. Seu objetivo é sempre transmitir a informação com objetividade e o foco de suas pautas é o cidadão. A empresa busca garantir a transparência interna e externa da informação, universalizar o direito à informação do cidadão e a qualidade da mesma. Ela já conta com seis emissoras de rádio, três emissoras de TV e duas agências de notícias na internet. Ela é responsável por noticiar informações sobre o Estado, governo e vida nacional. Foi criada em 1975 como uma autarquia do governo, com a responsabilidade de gerir todas as emissoras de rádio e TV do governo espalhadas pelo país, de forma centralizada. Ela atua também na distribuição da publicidade legal das entidades governamentais.

A TV Cultura é um exemplo de TV pública no Brasil. Parte de sua renda vem do Estado, que é obrigado por lei a custear alguns de seus gastos. Apesar disso, possui um caráter privado, o que dá a ela o direito de não sofrer nenhuma interferência do Estado. A renda obtida pelo Estado não cobre todo o orçamento, e por isso a TV possui outras formas de renda. No momento, são quatro: o governo de São Paulo, prestações de serviços em geral, venda de produtos e subprodutos de sua programação e publicidade. A publicidade adota outro caráter nesta TV. Todo tipo de renda vindo destas empresas entra como apoio cultural e elas não exercem nenhum tipo de influencia sobre a emissora. O jornalismo também tem uma postura diferente. Como não tem caráter comercial, ele não precisa defender nenhum ponto de vista, seja ele de cunho político ou empresarial. Busca assim atingir algo mais próximo do “jornalismo ideal”: objetivo e imparcial. Adota um modelo diferente, de duas vias. Nele, o telespectador deixa der ser um agente passivo e passa a participar do processo de construção e transmissão da mensagem.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Encerramento do TEIA 2007.



Sem demais dúvidas, o evento com certeza ficou marcado como muito querido aqui em Belo Horizonte. Afirmo como moradora daqui. E já sinto saudades.
Foi uma semaninha recheada de cores, conversas, debates, encontros e festejos. Daqui, muitas idéias boas saíram e, mais do que isso, muita esperança de transformações.
Como um depoimento pessoal, afirmo que gostaria de ter participado mais. Queria ter participado de tudo. Queria conseguir ocupar dois espaços com um corpo só, contrariando o contrário das leis da física, se fosse possível.
As tardes em que circulei pelo Parque Municipal, Serraria Souza Pinto e Casa do Conde me deixaram essa vontade. Em cada lugar que passava encontrava pessoas de lugares diferentes, sotaques diferentes, roupas diferentes. Batuques diferentes, músicas diferentes, manifestações culturais diferentes. Pieguices a parte, a cidade ficou realmente mais encantada.

Assisti, a princípio, a aula-espetáculo de Ariano Suassuna. E outra abertura do evento não seria melhor. Ele nos deixou o gostinho de sermos brasileiros , a vontade de entrar de vez na nossa cultura e debatê-la, discuti-la, mudá-la, transformá-la. Com um “empurrãozinho” desse, não restava mais nada. (http://novodenada.blogspot.com/2007/11/cabra-macho.html)
A Feira de Economia Solidária reunia aquilo que estava espalhado por toda cidade: diversidade. As tipicidades de cada região se apresentavam nos stands e a vontade de aprender e compartilhar com os outros, nas oficinas.
Por um momento passei em uma discussão no espaço Cultura Digital e Conexão. Gilberto Gil, Cláudio Prado e Jorge Mautner se reuniram com representantes de Pontos de Cultura do Brasil inteiro para debater o tema: “Banda larga: que porra é essa?”. Gil apresentou um vídeo que mostrava como foi possível instalar a banda larga no município de Piraí, no Rio de Janeiro, e como esta se tornou exemplo para o resto do Brasil. Exemplo porque conseguiu alcançar uma inclusão que une contemporaneidade e simultaneidade. Inclusão que atinge não só a periferia mas o município como um todo, com técnicas iguais para todos.

Em Piraí, o desenvolvimento digital foi possível através da utilização do que já havia no seu espaço urbano. As torres de transmissão de grandes empresas foram cedidas para o programa “Município Digital” através de um acordo que beneficiava os dois lados. As torres estavam ali instaladas pelo grande alcance que tinham e, assim, conseguiam atingir seu público nas cidades grandes. Não tinham a quem atingir naquela região interiorana. Mas a prefeitura de Piraí tinha e, por isso, se utilizou das torres. Em contrapartida, com o programa, foi formado um novo público para aquelas mesmas torres, ampliando seu mercado. Constituiu-se assim uma verdadeira parceria público-privada.
Piraí então iniciou o debate e os representantes dos Pontos de Cultura foram responsáveis por mantê-lo.
Esse encontro enriquecedor foi mais um dos momentos em que foi possível perceber que mais que um evento cultural com apresentações de todos os cunhos, havia ali uma intenção maior. Buscava-se unir idéias de todos os lugares e fazê-las propagar por todo Brasil como em uma teia.
De Piraí para o Brasil. De Belo Horizonte para o Brasil. Do Brasil para o Brasil.
E com essa mensagem a TEIA se encerrou para mim. Ou melhor, o evento se encerrou para mim. A TEIA é o que acontece agora. Vamos passar o que aprendemos aqui para todo o resto e, com tudo que um final-clichê pede: vamos continuar sendo os nós dessa teia.
E voltem sempre!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Cabra macho.


Se pudesse mandar em alguma coisa, eu decretaria: todo brasileiro tem o dever de assistir a uma aula-espetáculo de Ariano Suassuna. E tenho dito.

Com toda simplicidade que se espera de um típico nordestino, Suassuna começou sua aula justificando sua voz rouca e fraca, seu pigarro constante, seu traje típico. E por quase duas horas conduziu com leveza e bom humor uma conversa com um público encantado, revelando assim o quão espirituoso é esse nosso artista.

Acredito que Ariano tenha descoberto a fórmula ideal para construir a auto-estima do povo brasileiro. Se um psicanalista ou algum interessado no assunto lá estivesse, se assustaria com as reações que essa conversa fora capaz de produzir. Saímos todos, no mínimo, orgulhosos de sermos um povo "alegre, musical e dançarino". Mais do que dramaturgo e romancista, ele assumiu para si a função de estudar a cultura brasileira (já foi professor de História da Cultura Brasileira na UFPE), valorizá-la e apresentá-la para o seu povo.

“Se todo mundo exercesse suas atividades como Robinho joga futebol”, foi a primeira lição passada. O nosso futebol deve ser usado como exemplo para todas as outras formas típicas de cultura brasileira. Nossa cultura é rica em manifestações pequenas e peculiaridades de um povo que não perde sua alegria, apesar de todo o sofrimento que passa. E tudo isso já é digno de uma imensa admiração.

E não faltaram elogios a nós. À nossa humildade. Nossa unicidade. Nossa indisciplina. Nosso bom humor. Nossa alegria. Nossa cultura.

A nossa arte é mais do que um “episódio da cultura ocidental”. É a arte brasileira. Manifestação do povo. Arte alegre, colorida e simples.

Ariano criticou com ousadia e delicadeza a obre feita por Niemeyer. Uma obre sem cor, sem vida. É arte sim, mas não nos representa, segundo ele. Quem nos representa é Aleijadinho, Gabriel Joaquim dos Santos, J. Borges, Robinho, Daiane dos Santos. Mais do que representar o real, eles acrescentam uma pitada do que é brasileiro e assim fazem a nossa arte.

E finalizou afirmando que a cultura brasileira, em todas as suas manifestações, nasce com tipicidades locais mas torna-se universal por sua qualidade. E cada um de nós tem a responsabilidade de criá-la, mantê-la e propagá-la por todo o mundo, valorizando-a da forma que merece. A representação da cultura não precisa ser engajadamente política, mas pode sim representar o que pensa o seu autor.

Restou então a nós, espectadores, a esperança que ele reafirma:
O Brasil ainda se desconhece mas hoje já se assume como um país rico e profundo, com um povo capaz de fazê-lo acontecer.

Sugestão de leitura:

http://edizemporai.blogspot.com/2007/11/j-comentei-antes-sobre-o-teia.html



“Quem somos nós?”



Eu sou muito chatinha. Muito mesmo. Participei da oficina de graça, comi bem, aprendi muito e ainda reclamo. Mas eu não poderia deixar de comentar o tanto que acho engraçado essas dinâmicas de grupo que estão na moda hoje em dia. Parecem atividades pra gente doida. Ou retardada. “Vamos criar um sentimento de grupo através dessa brincadeira.” “Vamos relaxar do stress que trazemos da rua no final do dia”. ‘Vamos procurar o auto conhecimento”. “Vamos nos reconhecer como uma unidade”.

Eu não acredito em nada disso. E eu acho que tudo isso segue a linha tosca da auto-ajuda. Que, por fim, não atinge objetivo nenhum. Eu passo horas participando dessas dinâmicas
sem conseguir, por mais que eu me esforce, acreditar em nada disso.

Passamos séculos e mais séculos fazendo tudo virar máquina. E de repente, começa um movimento de “olhar pra dentro de nós”. Mas isso, na verdade, me parece uma daquelas ondas de quando a gente estuda as crises do capitalismo. Quando um produto fica na crista da onda como todos os outros, não tem mais concorrência. Então ele se renova, altera seu preço e recomeça a guerra.
Essas dinâmicas pra mim são mais uma renovação. Não do capitalismo, mas de uma forma de motivar os funcionários a trabalhar. Antes eram as férias, depois finais de semana em um hotel fazenda com a família e agora, dinâmicas de grupo. A minha impressão é que elas mais condicionam as pessoas a “ficarem no ponto” que se desejam no que diz respeito á motivação e estímulo do que realmente fazem o que costumam propor, que é que se "libere o que há dentro de nós".


E por fim, nenhum desses objetivos são alcançados comigo. Nem com as pessoas que eu observo. Não vi saindo de cirandas pessoas que assumem um grupo pra si e nem que se conheçam melhor depois de um momento de respiração pausada.

Olha o passarinho.



Outra coisa que me assustou nessa Oficina de Jornalismo Cultural da qual participei foi a quantidade de pessoas que tiravam fotos e filmavam ao mesmo tempo. Eram celulares, máquinas fotográficas que filmam, máquinas filmadoras que fotografam, máquinas digitais, máquinas manuais. Hoje qualquer um tem um instrumento de comunicação na mão. Essa facilidade toda não deixa de ser um retrato do quanto que a comunicação está cada vez mais enraizada na nossa vida. E justifica um pouco o excesso de informação que tem no mundo de hoje. Confesso ter me sentido um pouco Caetano Veloso, me questionando sempre “quem lê tanta notícia?”.

Brilho eterno de uma mente a procura.



Ainda na busca por me encontrar dentro de um caminho no jornalismo, nos debates que surgiram eu consegui me encontrar e me perder inúmeras vezes.

Ouvi uma proposta de se fazer um jornalismo solto, livre, sem pautas e sem limitações. Apenas o que “desse na cabeça”. Um jornalismo de idéias, algo mais abstrato. Sinceramente? Eu achei tudo isso uma grande viagem. (E, pra ser mais sincera ainda, uma grande merda). O nosso mundo ainda não está preparado pra isso. Há séculos e séculos nós caminhamos pra uma sitematização cada vez maior de todos aspectos de nossas vidas. Querer chegar agora, do nada, e através do jornalismo romper com isso é muita utopia. Eu respeito, afinal é a utopia que move e transforma o mundo mas não compartilho. Não mesmo.

O jornalismo assim, perde o sentido. Muitos aqui não vão concordar, mas eu acredito que o jornalismo seja um controle social, que assim o faz através da seleção de informações que veicula. Ou seja, através da manipulação. O jornalismo manipulado é terrível agora, que é usado como forma de dominação e sensacionalismo (clichê, não?). Mas essa manipulação ainda pode ser usada como forma de educação para o nosso povo, acredito eu.

Não tem como agora, nessa altura do campeonato, querer fazer um jornalismo de idéias pra todos. Idéias exigem um nível de intelectualidade que , infelizmente, ainda não corresponde ao nosso povo. E se não atinge o povo, cadê o público pra quem se escreve?!

Depois dessa mesa de discussão, sai desiludida e sem esperança sobre mudanças. Não chegaríamos a lugar nenhum assim. E talvez eu tivesse depositando minhas fichas na profissão errada.

(Parece um pouco livro de auto-ajuda contar um caso ilustrando a situação mas quero fazê-lo.
Ano passado, enquanto estudava para o vestibular em um café ali na Savassi com uma amiga, comecei a conversar com ela sobre minha dúvida em escolher Comunicação Social para estudar. Se eu fizesse medicina, eu conseguiria na prática contribuir pra alguma melhora no mundo. Fosse salvando vidas, fosse atendendo e tentando melhorar o SUS , fosse mudando pra África e ajudando os portadores da AIDS. Como cientista política eu poderia tentar dar uma limpeza geral no que se chama de política no Brasil. Sonhos a parte, o que eu queria mesmo era uma profissão em que eu sentisse que era útil pra alguma coisa. Que quando acabasse a luz na casa da minha madrinha, ela chamasse sua afilhada eletricista expert no assunto e eu fosse lá consertar. Se minha avó tivesse uma crise de asma, ligassem pra médica da família, que seria eu, e tudo se resolvesse. Enfim, queria mesmo sentir que eu acrescentava alguma coisa pras pessoas ao meu redor. E eu não via como conseguiria fazer isso com o jornalismo. Ela então, tentando me salvar daquela crise existencial me disse que eu não sabia do poder de utilidade pública que eu teria com o jornalismo*. Eu poderia através dele denunciar tudo que há de errado ao meu redor, poderia passar um pouco de cultura pra quem não a tivesse e ser referência de informação e opinião nas rodas de conversa dentro da família. E por ser realmente o que eu acreditava ser o jornalismo, eu concordei e me senti útil na minha escolha.)

Voltando...

Não tinha encontrado ali o jornalismo que eu procurava, o jornalismo que queria mudar o mundo de uma forma realmente possível. Fui então pra outra roda de conversa. E lá voltei a me encontrar. Eu acho. Debatemos o quanto é difícil acabar com a hierarquização da informação, em que , como em um funil, muita gente boa não recebe o que merece da mídia por que, por falta de contatos ou de sorte, não está na hora certa e no lugar certo. Debatemos o jornalismo chulo que é feito hoje em dia. A baixa qualidade que busca atingir e manter o padrão médio do brasileiro. Mas não propomos mudar o mundo de uma vez só. Se por mais de cinqüenta anos o padrão-globo é o padrão midiático que deve ser seguido e ele apresenta um jornalismo pobre, em seis dias não vamos mudar isso. Muito menos vamos descansar no sétimo. Mas também não compartilhamos de uma desesperança total. Concordamos que, se já existem pessoas no mundo dispostas a se reunirem em uma cidade diferente pra discutir o jornalismo e uma nova forma de jornalismo, algo já começa a mudar. E se essas pessoas com vontade de mudar, passarem o que aprenderam e o que sabem para mais outras pessoas interessadas, podemos conseguir um movimento maior de mudança ou, no mínimo, uma consciência de que algo ta errado e de que algo tem que mudar.E esse post aqui é pra isso, compartilhar essa opinião.

* Comentário aleatório: eu realmente não sabia do poder que tinha. Nem sabia do poder enorme que todos os meios de comunicação tinham. Descobri isso ontem, quando me contaram que de cada dez tatuagens que se fazem no Rio hoje, três são do símbolo do BOPE.

TEIA 2007



Descobri o evento através de uma oficina de fanzine que participei. Uma das responsáveis pela oficina faz parte de um ponto de cultura aqui em BH (http://www.humbiumbi.org.br/ ) e nos explicou sobre o projeto. Logo me interessei. Ando a procura de muitas coisas ligadas á minha área ultimamente. Mais do que uma vontade de preencher meu currículo, que ultimamente dá até eco, to buscando descobrir qual é a minha realmente. Percebi há pouco o tanto que é extenso o curso que faço, e o tanto de possibilidades que tenho dentro dele. Essa responsabilidade de escolher e fazer um dos caminhos dentro da comunicação me assusta. Então, assim, to tentando conhecer na prática uma síntese dessas possibilidades, sempre com uma esperancinha de no final chegar e pensa “Ufa, achei! É isso que eu quero.”

O Jornalismo Cultural Independente é uma proposta inovadora e talvez, por isso, ainda não tenhamos conseguido defini-lo ao certo. É uma tentativa de mudança e isso já ganha de cara a minha admiração e o meu receio.É bem sintetizado pelo lema do TEIA 2007: “Tudo para todos”. Como foi repetido muitas vezes na oficina, é uma proposta de tornar o jornalismo horizontal. (Eu tenho uma dificuldade com a palavra “horizontalizar”) . Uma proposta para que ele seja feito por todos e alcance a todos. No mínimo, desafiador.

Já que vem de todos, o alcance do “para todos” torna-se mais viável, uma vez que as chances de se conquistar um público através da identificação pelos assuntos são maiores. É assim que está acontecendo com a cobertura jornalística do TEIA. Todos escrevem sobre aquilo que se comprometeram a cobrir e a sala de imprensa é o lugar de todo mundo. Estudantes, agentes culturais, jornalistas formados. Aqui não é preciso formação, já foi dito por um dos idealizadores. Na verdade, há sim um tratamento diferenciado para a imprensa oficial e os oficineiros. Mas, pra mim, que estou lá a título de experiência, isso pode ser relevado. Até porque ainda vejo o Jornalismo Cultural Independente como uma tentativa, que ainda tem que ser aceita.

O “todos” e o “como” ainda são assuntos polêmicos. Como atingir um “todo” através do JCI em um país em que 40% da população é analfabeta ou analfabeta funcional ?! Alcançar 60% não é alcançar o todo. Fora os que ainda não participam da inclusão digital ou ainda , por carência de educação e/ou cultura, não sabem nem se interessam pelo que é jornalismo.

O “como” já nos é apresentado pela rede 100 canais (
www.100canais.org.br) e está sendo testado na prática com essa cobertura jornalística. Eu, particularmente, não “boto muita fé” de que assim ele consiga se consolidar. A regra do jornalismo cultural independente é não ter regras , não ter padrão. Nem mesmo o veículo pelo qual ele acontece tem um padrão único, que geralmente é usado para identificação de um meio. Por isso, e talvez por ter sido acostumada com um jornalismo padronizado por tanto tempo, eu me sinto perdida no meio de um caos total dentro do site. E a resposta pra minha crítica pelo caos foi que a intenção é essa, que seja um caos. Conservadorismo ou não, eu ainda não consegui me achar aqui dentro.

Ficam aqui os links pra quem se interessou pelo assunto:

http://www.teia2007.com.br/

http://www.agenciateia.org.br/

Mediocridade Teen



Devo assumir, antes do começo de tudo, que esse blog nasce de uma declaração da minha inferioridade intelectual. E do desejo medíocre de querer me incluir em um universo do qual não pertenço. Sim, ele é como o nike shox que eu queria quando tinha meus 15 anos porque, afinal de contas, todo mundo tinha. Queimado o meu filme o suficiente, vou agora tentar me salvar.

Participei nesse final de semana da Oficina de Jornalismo Cultural Independente, uma parte do evento TEIA , que esse ano está acontecendo em Belo Horizonte, minha cidade.(Sobre o evento, eu quero comentar mais pra frente e mais profundamente). Nessa oficina percebi o quão ignorante eu era nos assuntos que tratam de uma nova forma de jornalismo. Nunca havia ouvido falar de tags, feeds, muito menos google analytics. Com todo meu conservadorismo digno de uma pessoa no alto dos seus dezoito anos e dos seus inenarráveis dois semestres do curso de comunicação social, sempre afirmei que o meu futuro está no jornalismo impresso, que é o que me atrai. Assumi assim a postura de “nadando contra corrente”, levando em consideração a crise no impresso. Agora volto atrás, buscando me abrir pra essa nova possibilidade que surge pra mim.

Justificado o início do blog, me contradigo e afirmo que sua razão inicial de existência nem é tão medíocre assim.Tudo precisa de motivação pra começar, já arranjei uma e já comecei.
Então lá vamos nós.