sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Brilho eterno de uma mente a procura.



Ainda na busca por me encontrar dentro de um caminho no jornalismo, nos debates que surgiram eu consegui me encontrar e me perder inúmeras vezes.

Ouvi uma proposta de se fazer um jornalismo solto, livre, sem pautas e sem limitações. Apenas o que “desse na cabeça”. Um jornalismo de idéias, algo mais abstrato. Sinceramente? Eu achei tudo isso uma grande viagem. (E, pra ser mais sincera ainda, uma grande merda). O nosso mundo ainda não está preparado pra isso. Há séculos e séculos nós caminhamos pra uma sitematização cada vez maior de todos aspectos de nossas vidas. Querer chegar agora, do nada, e através do jornalismo romper com isso é muita utopia. Eu respeito, afinal é a utopia que move e transforma o mundo mas não compartilho. Não mesmo.

O jornalismo assim, perde o sentido. Muitos aqui não vão concordar, mas eu acredito que o jornalismo seja um controle social, que assim o faz através da seleção de informações que veicula. Ou seja, através da manipulação. O jornalismo manipulado é terrível agora, que é usado como forma de dominação e sensacionalismo (clichê, não?). Mas essa manipulação ainda pode ser usada como forma de educação para o nosso povo, acredito eu.

Não tem como agora, nessa altura do campeonato, querer fazer um jornalismo de idéias pra todos. Idéias exigem um nível de intelectualidade que , infelizmente, ainda não corresponde ao nosso povo. E se não atinge o povo, cadê o público pra quem se escreve?!

Depois dessa mesa de discussão, sai desiludida e sem esperança sobre mudanças. Não chegaríamos a lugar nenhum assim. E talvez eu tivesse depositando minhas fichas na profissão errada.

(Parece um pouco livro de auto-ajuda contar um caso ilustrando a situação mas quero fazê-lo.
Ano passado, enquanto estudava para o vestibular em um café ali na Savassi com uma amiga, comecei a conversar com ela sobre minha dúvida em escolher Comunicação Social para estudar. Se eu fizesse medicina, eu conseguiria na prática contribuir pra alguma melhora no mundo. Fosse salvando vidas, fosse atendendo e tentando melhorar o SUS , fosse mudando pra África e ajudando os portadores da AIDS. Como cientista política eu poderia tentar dar uma limpeza geral no que se chama de política no Brasil. Sonhos a parte, o que eu queria mesmo era uma profissão em que eu sentisse que era útil pra alguma coisa. Que quando acabasse a luz na casa da minha madrinha, ela chamasse sua afilhada eletricista expert no assunto e eu fosse lá consertar. Se minha avó tivesse uma crise de asma, ligassem pra médica da família, que seria eu, e tudo se resolvesse. Enfim, queria mesmo sentir que eu acrescentava alguma coisa pras pessoas ao meu redor. E eu não via como conseguiria fazer isso com o jornalismo. Ela então, tentando me salvar daquela crise existencial me disse que eu não sabia do poder de utilidade pública que eu teria com o jornalismo*. Eu poderia através dele denunciar tudo que há de errado ao meu redor, poderia passar um pouco de cultura pra quem não a tivesse e ser referência de informação e opinião nas rodas de conversa dentro da família. E por ser realmente o que eu acreditava ser o jornalismo, eu concordei e me senti útil na minha escolha.)

Voltando...

Não tinha encontrado ali o jornalismo que eu procurava, o jornalismo que queria mudar o mundo de uma forma realmente possível. Fui então pra outra roda de conversa. E lá voltei a me encontrar. Eu acho. Debatemos o quanto é difícil acabar com a hierarquização da informação, em que , como em um funil, muita gente boa não recebe o que merece da mídia por que, por falta de contatos ou de sorte, não está na hora certa e no lugar certo. Debatemos o jornalismo chulo que é feito hoje em dia. A baixa qualidade que busca atingir e manter o padrão médio do brasileiro. Mas não propomos mudar o mundo de uma vez só. Se por mais de cinqüenta anos o padrão-globo é o padrão midiático que deve ser seguido e ele apresenta um jornalismo pobre, em seis dias não vamos mudar isso. Muito menos vamos descansar no sétimo. Mas também não compartilhamos de uma desesperança total. Concordamos que, se já existem pessoas no mundo dispostas a se reunirem em uma cidade diferente pra discutir o jornalismo e uma nova forma de jornalismo, algo já começa a mudar. E se essas pessoas com vontade de mudar, passarem o que aprenderam e o que sabem para mais outras pessoas interessadas, podemos conseguir um movimento maior de mudança ou, no mínimo, uma consciência de que algo ta errado e de que algo tem que mudar.E esse post aqui é pra isso, compartilhar essa opinião.

* Comentário aleatório: eu realmente não sabia do poder que tinha. Nem sabia do poder enorme que todos os meios de comunicação tinham. Descobri isso ontem, quando me contaram que de cada dez tatuagens que se fazem no Rio hoje, três são do símbolo do BOPE.

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